"Onde houver vida, sempre haverá um Biólogo."



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segunda-feira, dezembro 20

Bactéria de arsênio: NASA finalmente responde às críticas

Cientistas contestam a alegação de contaminação de amostras e admitem que fenômeno precisa ser melhor investigado

Foto: Divulgação/Science

Lago Mono, no leste da Califórnia, onde a nova bactéria foi encontrada. Os resultados de um trabalho publicado no último dia 2 na revista Science, sugerindo que uma bactéria isolada de um lago na Califórnia substituiu fósforo por arsênio, instigaram cientistas a questionar se as conclusões apresentadas estavam suficientemente sustentadas pelos dados apresentados.

O iG tentou várias vezes, sem sucesso, que os cientistas da NASA respondessem às críticas levantadas por cientistas como Jack W. Szostak, ganhador do Prêmio Nobel em Fisiologia e Medicina de 2009.

Finalmente, Felisa Wolfe-Simon e Ron Oremland enviaram à Science respostas às principais críticas, “como serviço público e para esclarecer dados e metodologias”, diz o texto. A Science enfatiza que essas respostas não passaram pelo processo de revisão por pares e que só serão publicadas na revista após revisão.

A principal dúvida era se a bactéria realmente incorporou arsênio em seu DNA. A suspeita dos céticos é que a contaminação da amostra levou a falsos resultados. Os cientistas da NASA responderam que utilizaram protocolos padrões de extração de DNA, lavando as células antes, o que eliminou o arsênio livre, restando apenas o que incorporou ao DNA.

Em relação à crítica de que a substituição de arsênio por fósforo é quimicamente improvável, uma vez que os compostos formados se quebram rapidamente na presença de água, Felisa cita trabalhos de outros cientistas e diz que este mecanismo de substituição precisa ser melhor investigado. “Esperamos trabalhar com outros cientistas, tanto diretamente ou disponibilizando células e fornecendo amostras de DNA para os especialistas apropriados fazerem suas próprias análises, em um esforço de compreender melhor esse intrigante achado”, termina a nota.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/bacteria+de+arsenio+nasa+finalmente+responde+as+criticas/n1237878168435.html

quarta-feira, dezembro 15

Identificação Bioquímica de Bacilos Gram Negativos Entéricos

Identificação Bioquímicade Bacilos Gram Negativos Entéricos

Após o recebimento da amostra coprocultura as bactérias devem ser semeadas em meios seletivos e também pode ser feito um cultivo em caldo nutritivo. Para iniciar o TSI devemos usar colônias bem isoladas.

TSI (Triplice Sugar Iron)
Meio nutricionalmente rico com inibidores que permite o crescimento da maioria das espécies bacterianas, só não cresce as mais exigentes e anaeróbios.
O TSI só pode ser realizada com amostras já isoladas em placas com meio seletivo para bacilos gram negativos entéricos. O indicador de pH é vermelho de fenol (pH ácido indicador fica amarelo; pH alcalino o indicador fica vermelho).Um ponto importante é a proporção entre os açucares sendo que esse meio apresenta a proporção de Glicose : Lactose : Sacarose 1:10:10 (g/L), há também tiossulfato de sódio, sulfato ferroso e peptona.


Fermentação dos Açucares

Produção de H2S
Se a bactéria produzir a enzima tiossulfato redutase ela ira degradar o tiossulfato de sódio presente no meio produzindo H2S, este reage com o sulfato ferroso formando um precipitado preto de sulfeto ferroso. Para que esta reação ocorra é necessário que o meio esteja ácido, assim se a base do tubo estiver negra deve ser lida como que a bactéria é fermentadora de glicose.


Produção de Gás
Há bactérias que degradam o ácido fórmico proveniente da fermentação da glicose produzindo H2 ;CO2 devido a ação da enzima formiase. A produção de gás é evidenciada pela formação de bolhas e ou o meio pode rachar. Se houver muita produção de gás com o deslocamento do meio pode seer indicativo de Klebsiela e Enterobacter.
Para prosseguir com as outras provas Bioquímicas devemos usar as colônias de bactérias que cresceram na parte superior do TSI. Entretanto devemos ter certeza que no TSI só tem uma espécie, isso é obtido a partir de meios seletivos e caldos nutritivos.

Indol
O indol é produzido a partir do tríptofano existente no meio de cultura sob a ação da triptofanase, há também a produção de ácido pirúvico e amônia.
O indol pode ser detectado pela formação de um anel rosa “pink” na parte superior do tubo após a adição p-dimetilaminobenzaldeído (reativo de kovacs).


VM (Vermelho de Metila)
Teste que avalia se as bactérias que fermentam a glicose pela via ácida mista, com isso há a produção de vários ácidos (ácido fórmico, lático, acético) que faz com que o pH do meio fique abaixo de 4,4 que é o limite de viragem do indicador de pH.
O indicador de pH é o vermelho de metila que em pH abaixo de 4,4 é vermelho e acima de 6 é amarelo.


VP (Voges Proskauer)
Há bactérias que utilizam a fermentação butilenoglicólica, fermentam a glicose produzindo acetil-metil- carbinol (acetoína), butilenoglicol e pequenas quantidades de ácidos.Quando é adicionado KOH e na presença de O2 atmosférico a acetoína é convertida em diacetila a adicição de alfa-naftol nesta reação cataliza a produção de um anel vermelho.

Citrato
Este teste determina se a bactéria é capaz de o citrato de sódio como única fonte de carbono para o seu metabolismo e crescimento. Deve ser utilizado o meio Citrato de Simmons, composto por citrato de sódio, fosfato de amônia e por azul de bromo fenol.Com o uso de citrato há a produção de hidróxido de amônia que eleva o pH fazendo que a reação se torne azul.



Urease
Há bactérias que possuem a enzima urease que garante a capacidade de degradar a uréia presente no meio liberando amônia, CO2 e H2O. A amônia reage formando carbonato de amônia que alcaliniza o meio.O indicador de pH é o vermelho de fenol que em meio alcalino toma a coloração “pink”.

Fenilalanina Desaminase (FAD)
Há bactérias que produzem enzimas que desaminam a fenilalanina presente no meio, originando o ácido fenilpirúvico, que reage com o cloreto férrico adicionado ao meio, desenvolvendo cor verde.Essa prova é presuntiva para Proteus, Morganela, Providencia.

Lisina descarboxilase(LDC)
Há algumas bactérias que possuem a lisina descarboxilase que descorboxila a lisina produzindo a cadaverina mais CO2, essa descaroboxilização alcaliniza o meio.O meio contém o indicador azul de bromocresol, que em pH alcalino apresenta-se em cor roxo e em meio ácido a cor amarela. A reação se processa em anaerobiose deve-se cobrir o meio com óleo mineral ou cera de carnúba.

Mio (Motilidade, Indol e ornitina)
Se a bactéria produz a enzima ornitina descarboxilase, ela será capaz de descarboxilar a ornitina produzindo gás carbônico e putrecina, isso eleva o pH do meio. O indicador de pH usado é o púrpura de bromocresol que e, condições alcalinas se torna roxo. É útil para diferenciar entre Klebsiella (negaivo) e Enterobacter (positivo).
A produção de Indol pode ser detectado colocando um papel filtro ou algodão umedecido com reativo de indol, na aula prática o indol foi feito separado para que ficasse de forma mais didática.
A motilidade é observada através do aspecto do meio, isso decorre do fato que o meio é semi-sólido e permite o crescimento bacteriano por todo o tubo. Se a motilidade é positiva o aspecto do meio será turvo enquanto que motilidade negativa só observaremos a picada. Fica mais fácil de observar a motilidade pondo os tubos contra um folha de papel pautada, se conseguirmos observar as linhas através do tubo é motilidade negativa.


Fonte: http://bioinfo-aula.blogspot.com/2007/12/identificao-bioqumica-de-bacilos-gram.html

sexta-feira, dezembro 3

Bactéria que come arsênico abre nova perspectiva para vida fora da Terra

Estudo realizado em parceria com a Nasa causou boatos que seria anunciada a descoberta de vida ET

Carlos Orsi - estadão.com.br




Sinais de que uma bactéria é capaz de substituir o nutriente essencial fósforo por arsênico - um elemento tóxico para a maioria das formas de vida conhecidas - expande o horizonte para a busca de vida fora da Terra, anunciam os cientistas que assinam pesquisa descrita no serviço online da revista Science, o Science Express.


Todas as formas de vida conhecidas até hoje - plantas, animais e micro-organismos - dependem de seis elementos químicos para construir as moléculas que compõem seus corpos: oxigênio, hidrogênio, carbono, fósforo, enxofre e nitrogênio. A bactéria descoberta pela equipe de cientistas liderada por Felisa Wolfe-Simon, da Pesquisa Geológica dos Estados Unidos, seria a primeira exceção conhecida à regra.


Não se trata de uma exceção trivial: o fósforo faz parte da estrutura do DNA e é um componente do ATP, a molécula usada para transportar energia no metabolismo celular.


Batizado de GFAJ-1, o novo organismo foi encontrado em sedimentos do Lago Mono, da Califórnia. O lago é extremamente salgado e conta com níveis elevados de arsênico, um elemento que fica logo abaixo do fósforo na Tabela Periódica.


"A vida como a conhecemos requer alguns elementos químicos em particular e exclui outros", disse, em nota divulgada pela Universidade Estadual do Arizona, um dos coautores do estudo, Ariel Anbar. "Mas seriam essas as únicas opções? Como a vida poderia ser diferente?"


Um dos princípios da busca por vida em outros planetas, acrescenta Anbar, é que os cientistas devem "seguir os elementos". "O estudo mostra que temos de pensar melhor em que elementos seguir", acredita.


A ideia de que arsênico poderia substituir fósforo já havia sido apresentada por Felisa, Anbar e por Paul Davies - que também assina o artigo na Science Express - em trabalho publicado em 2009 no International Journal of Astrobiology.


"Nós não apenas sugerimos que sistemas bioquímicos análogos aos conhecidos hoje poderiam usar arseniato (composto de arsênico e oxigênio) no papel equivalente do fosfato", diz Felisa. "Mas também que esses organismos poderiam ter evoluído na Terra antiga e persistir em ambientes incomuns até hoje".


A pesquisa foi feita em parceria com a Nasa. O anúncio de que a Science desta semana traria um artigo patrocinado pela agência espacial sobre astrobiologia - a ciência que explora as possibilidades de vida fora da Terra - causou uma onda de boatos na internet, sobre a possível descoberta de alienígenas.


A descoberta




Depois de recolher lama do fundo do Lago Mono - que é três vezes mais salgado do que o oceano - os pesquisadores passaram a cultivar, em laboratório, os micróbios extraídos dali, usando uma dieta onde entravam doses crescentes de arsênico.


A taxa de arsênico em relação a fósforo no meio de cultura foi sendo ampliada paulatinamente, com a transferência de populações de bactérias para meios cada vez mais pobres no elemento tradicional da vida e cada vez mais ricas no material tóxico, até um ponto onde qualquer bactéria que ainda estivesse produzindo DNA, ATP e outras moléculas que dependem de fósforo fosse forçada a usar arsênico no lugar - ou morrer.


Quando o microscópio revelou que havia micróbios vivos mesmo no meio de cultura mais concentrado, uma série de análises delicadas foi realizada para determinar se o arsênico estava mesmo sendo utilizado como "material de construção" pelas bactérias.


Os testes revelaram que o arsênico estava realmente dentro das células. Depois, com o uso de material radiativo baseado em arsênico, os cientistas conseguiram encontrar sinais do elemento em fragmentos de moléculas de proteína, gordura e material genético.


Aprofundando a análise, a equipe determinou a presença de arsênico no DNA purificado das bactérias. Testes com raios X de alta intensidade indicaram que o arsênico presente ali estaria cumprindo uma função química, dentro da molécula de DNA, análoga à do fósforo.


Davies, um físico que vem se especializando na questão da busca por vida extraterrestre, acredita que o micróbio GFAJ-1 é apenas "a ponta do iceberg". "Isso tem o potencial de abrir um novo domínio na microbiologia", disse ele, também por meio de nota. Felisa acrescenta: "Se uma coisa na Terra pode fazer algo tão inesperado, o que mais a vida pode fazer que não vimos ainda?"


Outros cientistas, no entanto, preferem manter cautela e esperar por mais provas de que a bactéria faz tudo o que seus descobridores alegam. Ouvido pela revista Science, o microbiólogo Robert Gunsalus, da Universidade da Califórnia, afirma que "ainda há muito a fazer antes de pôr esse micróbio no mapa da biologia".

quinta-feira, novembro 18

Conheça criaturas que vivem no calor extremo

Saiba como algumas formas de vida sobrevivem a altas temperaturas

Uma bactéria que pode ser cozida, formiga que anda pelas areias do deserto do Saara e um verme que gruda em pedras. O que esses seres têm em comum? A incrível capacidade de sobreviver sob condições de temperaturas extremamente altas.
O calor é um dos maiores obstáculos à vida. Em terra firme, muito calor significa que a água evapora ou cozinha, e, sem ela, nada sobrevive. 

Neptune
Fumarolas no fundo do oceano // Crédito: Neptune Canada

Mas a falta de água não é um problema no fundo do mar. Lá, as temperaturas podem atingir 400 °C em fumarolas, lugares onde aberturas ligam o solo marítimo com o calor vindo de dentro da Terra. A temperatura limite que os organismos podem sobreviver é determinada pelo momento em que suas moléculas complexas, como o DNA e proteínas, começam a ser destruídas. O excesso de energia quebra suas ligações químicas.
A maior temperatura registrada que ainda permitia algum tipo de vida é de 121 ºC. O recorde é de um micróbio chamado Strain 121 (Cepa 121), que normalmente viveem temperaturas perto dos 100 º C em fumarolas. Ele parece não se alterar quando é aquecido até chegar aos 121º C, em experimentos de laboratório. Até 130º C a bactéria estava viva, mas não podia mais se replicar até que a temperatura diminuísse. 

Neptune
Vermes adaptados que habitam as fumarolas, áreas quentes no fundo do oceano // Crédito: Neptune Canada

A Strain 121 tem uma química celular semelhante a dos humanos. A diferença é que suas proteínas e DNA estão "embalados" de maneira mais complexa, assim podem aguentar mais energia do calor antes de se desfazerem. No entanto, sob temperaturas maiores que 100 ºC, produtos de atividades metabólicas essenciais, como o ATP, se decompõem. Então a maior temperatura que permite a vida é determinada pelo tempo em que as células conseguem repor esses químicos importantes. Mas bactérias são seres unicelulares (formados por apenas uma célula). Organismos multicelulares, mais complexos, são mais sensíveis ao calor, e os cientistas ainda não sabem a razão disso. A maioria deles tem problemas quando a temperatura ultrapassa a marca dos 40º C. E nenhum ser eucarionte – com membrana que protege o núcleo celular –
consegue viver acima dos 60º C. 

National Science Foundation
Verme da Pompéia em detalhes // Crédito: National Science Foundation

O verme de Pompéia (Alvinella pompejana) foi descoberto em fumarolas na costa das Ilhas de Galápagos na década de 1980. Sua cauda, que fica agarrada às paredes das fumarolas, aguenta água escaldante aos 80º C. O resto do corpo fica mais longe da água quente.
Os cientistas ainda não entendem como o verme suporta tanto calor, em parte porque o animal não sobrevive muito tempo em laboratório. Um dos fatores pode ser seu alto nível de colágeno, uma proteína que é relativamente estável em altas temperaturas. Os navais duros que o verme constrói ao seu redor e bactérias que crescem ao redor de sua pele também oferecem alguma proteção.
Na terra, o animal que aguenta mais calor é a formiga prata do Saara (Cataglyphis bombycina). Ela pode aguentar até 53ºC por alguns minutos enquanto busca por outras criaturas que morreram no calor. Antes de deixar o ninho elas estocam proteínas de choque térmico que  ajudam outras proteínas a manterem suas formas. Enquanto estão fora, elas tentar escalar objetos altos para se refrescarem com a brisa. 

Fonte: New Scientist – Novembro de 2010

terça-feira, novembro 16

Paranoia de limpeza pode abrir espaço para 'superbactérias'

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JULIANA VINES
DE SÃO PAULO


A maioria das bactérias não faz mal a ninguém. Mesmo assim, todos os dias, zilhões de germes inocentes são exterminados por um arsenal cada vez maior e mais complexo de desinfetantes e sabonetes antissépticos.
A professora Priscila Blazko, que faz os filhos Vinicius, 6, e Marina, 4, tomarem banho toda vez que brincam na areia
 A professora Priscila Blazko, que faz os filhos Vinicius, 6, e Marina, 4, tomarem banho toda vez que brincam na areia
  

Essa matança injusta e indiscriminada de micro-organismos é desnecessária e pode fazer mal à saúde. "Com a morte de bactérias neutras, sobra mais espaço para nocivas", diz a médica Flávia Rossi, diretora do laboratório de microbiologia do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Além de ocupar espaço e comer células mortas, bactérias neutras desempenham várias funções no organismo. Ajudam na síntese de vitaminas e no funcionamento do intestino, por exemplo.
O biólogo Marcos André Vannier-Santos vai além e diz que, sem os parasitas, os homens não seriam os mesmos. "Temos vários genes e enzimas de origem bacteriana. A coagulação sanguínea acontece graças a bactérias. A placenta foi formada a partir de um vírus", diz ele, que é pesquisador do laboratório de biomorfologia parasitária da Fundação Oswaldo Cruz,
É claro que muitos parasitas são nocivos e que os cuidados básicos com higiene são fundamentais, mas nada justifica uma certa paranoia desinfetante que está tomando ares de epidemia, a julgar pela quantidade de produtos "superpoderosos" que chegam ao mercado.
"Não é necessário ter em casa todos os cuidados que temos no ambiente hospitalar. Não precisa desinfetar todos os lugares. Água e sabão comum são suficientes", diz Stefan Cunha Ujvari, médico infectologista, autor do livro "Perigos Ocultos nas Paisagens Brasileiras _Como Evitar Doenças Infecciosas" (Senac/SP, 232 págs., R$ 45).
A professora de português Priscila Blazko, 34, é uma das adeptas dos produtos que matam 99% dos germes. "Leio os rótulos e compro aquele que mata mais", diz.
Quando seus dois filhos brincam na areia, Priscila exige que tirem a roupa antes de entrar em casa. "Eu sei, às vezes exagero."
Não só ela. Estamos todos sob influência da "cultura da higiene", na visão da antropóloga Sônia Weidner Maluf, professora da Universidade Federal de Santa Catarina.
"A ideia do que é limpo e do que é sujo é construída socialmente. Na nossa cultura, tudo que não é esterilizado é sujo e causa doença."
Isso é incentivado, segundo ela, pelo medo coletivo. "As situações de risco são ampliadas pela publicidade, e as pessoas ficam com a ideia de que podem se contaminar a qualquer momento." 


segunda-feira, novembro 15

O Terror das Bactérias

Com pouco menos de três minutos, o vídeo "O Terror das Bactérias" fala de um tipo de vírus, os bacteriófagos, que ataca as bactérias. O uso de bacteriófagos como uma alternativa de combate a bactérias resistentes a medicamentos tem sido estudado nos últimos anos. Feito com massa de modelar, o desenho animado foi produzido pelo Museu de Microbiologia do Instituto Butantan e pelo Laboratório de Malacologia do Departamento de Zoologia do Instituto de Biociências da USP. O filme foi gentilmente cedido pelo museu para Pesquisa FAPESP.


quarta-feira, novembro 3

Cólera

A cólera (ou cólera asiática) é uma doença causada pelo vibrião colérico (Vibrio cholerae), uma bactéria em forma de vírgula ou bastonete que se multiplica rapidamente no intestino humano produzindo uma potente toxina que provoca diarréia intensa.
Ela afeta apenas os seres humanos e a sua transmissão é diretamente dos dejetos fecais de doentes por ingestão oral, principalmente em água contaminada.

O vibrião da cólera é Gram-negativo e tem a forma de uma vírgula, possui flagelo locomotor terminal. Estes víbrios, tal como todos os outros, vivem naturalmente nas águas dos oceanos.



O víbrio é ingerido com água suja e multiplica-se localmente no intestino delgado proximal. Causa diarréia aquosa intensa devido aos efeitos da sua poderosa enterotoxina. Esta toxina tem duas porções A e B (toxina AB). A porção B é especifica para receptores presentes na membrana do enterócito, causando a sua endocitose (englobamento e internalização pela célula). A porção A, é a toxina propriamente dita, ela atua causando uma ADP-ribosilação na subunidade catalítica da proteína G, impedindo sua capacidade de hidrolisar o GTP ligado a ela, o que leva a uma superativação da enzima adenilato ciclase e provoca um aumento abrupto dos níveis de AMPc intracelulares. O AMPc é um mediador que se liga à proteína cinase A, que por sua vez activa outras proteínas que afetam os canais de cloro, provocando a secreção de cloro, sódio e água associada descontrolada pela célula no lúmen intestinal. O vibrião não é invasivo e permanece no lúmen do intestino durante toda a progressão da doença.
O fator que transforma uma estirpe de vibrião não virulenta numa altamente perigosa parece ser a infecção da bactéria por um fago (espécie de vírus que infecta bactérias). Esse fago, o CTX-fí, contém os genes da toxina (ctxA e ctxB) que os injeta quando da sua infecção à bactéria.
A cólera é uma infecção intestinal aguda causada pelo Vibrio cholerae, que é uma bactéria capaz de produzir uma enterotoxina que causa diarréia. Apenas dois sorogrupos (existem cerca de 190) dessa bactéria são produtores da enterotoxina, o V. cholerae O1 (biotipos "clássico" e "El Tor") e o V. cholerae O139.

Transmissão

A cólera é transmitida através da ingestão de água ou alimentos contaminados com cistos. São necessários em média 100 milhões de víbrios (e no mínimo um milhão) ingeridos para se estabelecer a infecção, uma vez que não são resistentes à acidez gástrica e morrem em grandes números na passagem pelo estômago.

Sintomas

A incubação é de cerca de cinco dias. Após esse período começa abruptamente a diarréia aquosa e serosa, como água de arroz.
As perdas de água podem atingir os 20 litros por dia, com desidratação intensa e risco de morte, particularmente em crianças. Como são perdidos na diarréia sais assim como água, beber água doce ajuda, mas não é tão eficaz como beber água com um pouco de sal. Todos os sintomas resultam da perda de água e eletrólitos:

* Diarréia volumosa e aquosa, tipo água de arroz, sempre sem sangue ou muco (se contiver estes elementos trata-se de disenteria).
* Dores abdominais tipo cólica.
* Náuseas e vômitos.
* Hipotensão com risco de choque hipovolémico (perda de volume sanguineo) fatal, é a principal causa de morte na cólera.
* Taquicardia: aceleração do coração para responder às necessidades dos tecidos, com menos volume sangüíneo.
* Anúria: diminuição da micção, devido à perda de liquido.
* Hipotermia: a água é um bom isolante térmico e a sua perda leva a maiores flutuações perigosas da temperatura corporal.

O risco de morte é de 50% se não tratada, sendo muito mais alto em crianças pequenas. A morte é particularmente impressionante: o doente fica por vezes completamente mirrado pela desidratação, enquanto a pele fica cheia de coágulos verde-azulados devido à ruptura dos capilares cutâneos.

Epidemiologia

A cólera é uma doença de notificação obrigatória às autoridades sanitárias.
Já existiu na Europa, mas com os altos níveis de saúde pública dos países europeus, foi já eliminada no início do século XX, com exceção de pequeno número de casos.
A região da América do Sul é hoje a mais freqüentemente afetada por epidemias de cólera, juntamente com a Índia. Neste último país, as grandes concentrações pouco higiênicas de multidões durante os rituais religiosos hindus no rio Ganges, são todos os anos ocasião para nova epidemia do vibrião. Também existe de forma endêmica na África e outras regiões tropicais da Ásia.
Os seres humanos e os seus dejetos são a única fonte de infecção. Só quando água ou comida suja com fezes humanas é ingerida podem suficientes quantidades de bactérias ser ingeridas para causar a doença. As crianças, que têm a tendência de pôr tudo na boca, são mais atingidas. As pessoas infectadas eliminam nas suas fezes quantidades extremamente altas de bactérias, sendo os portadores (indivíduos que possuem o víbrio no intestino, mas que não desenvolvem a doença) muito raros. Há alguns casos raríssimos em que indivíduos contraíram a doença após comerem ostras contaminadas.
Existem vários serovars ou estirpes de vibrião da cólera. O eltor tem uma virulência menor e tem se tornado importante desde o seu surgimento em 1961, na Arábia.

Diagnóstico

O diagnóstico é por cultura em meio especializado alcalino de amostras fecais. A identificação é por microscopia e bioquímica.



segunda-feira, novembro 1

Micoses Subcutâneas

As micoses subcutâneas são infecções causadas por um grupo diversificado de fungos que ataca o homem e animais. As lesões aparecem inicialmente a partir do ponto de inoculação de estruturas fúngicas, através de traumas diversos. Podem permanecer localizadas ou adjacentes (sanguínea/ linfática). A infecção depende da resistência do hospedeiro, do tecido infectado e do fungo envolvido. Na maioria das micoses subcutâneas, o fenômeno de pleomorfismo está envolvido. O grau de transformação depende da resistência do hospedeiro, da quantidade de inócuo e do tecido infectado.
Algumas espécies causadoras de micoses subcutâneas adaptaram-se facilmente, transformando-se em células leveduriformes globosas ou arredondadas, de parede espessa, apresentando ou não divisão interna, denominados corpos fumegóides.
 
Micoses subcutâneas são comuns em áres tropicais e subtropicais, devido ao calor e umidade. As Princípais são:


    Espotricose - Sporothrix schenckii;
     Cromoblastomicose - Fonseca pedrosai, Fonseca compacta;
    Lobomicose - Lacazia loboi.

Micoses Superficiais



Pitiríase Versícolor - Malassezia  furfur ­­­­­

Transmissão: Desconhecido. 
Sintomas: Manchas claras ou escuras na pele (hipo ou hipercromicas).
Locais:
Pescoço, tórax e raízes de membros superiores, podendo ocorrer na face, abdome, nádegas e membros inferiores.  


Amostra: Raspado da lesão.
Exame direto: No exame micológico direto é positiva para pseudo-hifas com KOH.
Cultura: em meio enriquecido com óleo de oliva, não é feita como rotina.
 


Tinha Negra - Phaeoannellomyces weneckii 
Transmissão: A doença tem maior incidência em pessoas do sexo feminino.
Sintomas: Geralmente apresenta-se assintomática, com manifestações clínicas apresentadas como lesões em forma de mácula, surgem como manchas pretas ou escuras nas palmas e plantas dos pés, mãos ou bordas dos dedos.  
  
Amostra: Raspado de pele.
Exame direto: Raspando-se a lesão, observa-se com KOH, hifas acastanhadas septadas e ramificadas irregulares e também elementos em brotamento.
Cultura: Meio Sabouraud, cultura em temperatura ambiente - colônia cremosa, leveduriforme, que com tempo torna-se filamentosa.
 

Piedra Branca - Trichosporon beigelii 
Transmissão: Habita no solo, água e vegetais, como também já foi encontrado em animais,  porém a transmissão permanece desconhecido. 
Sintoma: Manifesta-se por concreções de cor branca ou clara aderidas aos pêlos. Atinge principalmente os pêlos pubianos, genitais e axilares. 



Amostra: Pêlo.
Exame direto: Produz a piedra branca, geralmente localizada na extremidade do pelo. A superfície é homogênea, devido à massa de leveduras. A cor varia de branco a amarelo.

Dermatofitose - *Trichophyton, Microsporum e Epidermophyton 
Transmissão: inter-humana ou por fômites contaminados. Lesões variadas e resultam da combinação de destruição da queratina associada a uma resposta inflamatória.
Sintomas: Na classificação clínica são utilizadas as denominações tinea seguidas do sítio das lesões.



Amostra: cabelo ou unhas.
Cultura: Colônia caracteriza-se por uma textura veludoso,  pigmentação do verso que varia do branco ao amarelo ocre. O reverso apresenta-se em de amarelo com pigmento não difusível pelo meio. A microscopia óptica, de material proveniente de Agar Sabouraud não apresenta microconídeos . Chama a atenção e a quantidade de cadeias formadas por clamidoconideos grandes.

domingo, outubro 24

Dúvidas frequentes sobre Infecção Hospitalar (IH) e Klebsiella


Atendendo a pedidos, o post do dia diz respeito às dúvidas mais frequentes de visitantes que passaram pelo stand de Análises Clínicas do Senac, no qual foi apresentado o tema "Infecção Hospitalar" na Feira de Ciências e Tecnologia 2010  (19 - 23 de Outubro). 


1. O que é a infecção?

Infecção é a colonização de um organismo hospedeiro por uma espécie estranha. Em uma infecção, o organismo infectante procura utilizar os recursos do hospedeiro para se multiplicar (com evidentes prejuízos para o hospedeiro). O organismo infectante, ou patógeno, interfere na fisiologia normal do hospedeiro e pode levar a diversas consequências. Os agentes infecciosos, na maioria das vezes, são seres microscópicos tais como: vírus; bactérias (bactérias gram negativas, gram positivas ou Baar - Bacilo álcool resistente); fungos; parasitas (muitos macroscópicos).

2. Quais são os principais tipos de infecções?

Infecção direta – infecção adquirida por contacto com um indivíduo doente.
Infecção endógena – infecção devido a um micro organismo já existente no organismo, e que, por qualquer razão, se torna patogénico.
Infecção indirecta – infecção adquirida através da água, dos alimentos ou por outro agente infectante, e não de indivíduo para indivíduo.
Infecção oportunista ou oportunística – infecção que surge por diminuição das defesas orgânicas (KPC). 
Infecção secundária – infecção consecutiva a outra e provocada por um micro organismo da mesma espécie.
Infecção séptica ou septicemia – infecção muito grave em que se verifica uma disseminação generalizada por todo o organismo dos agentes micro orgânicos infecciosos.
Infecção terminal – infecção muito grave que, em regra, é causa de morte.

3. O que é a Infecção Hospitalar?

Infecção Hospitalar (IH) é toda infecção adquirida pelo paciente após 48 horas de sua entrada no hospital ou quando o paciente recebe “alta” e, em seguida, desenvolve uma infecção, desde que tenha relação com a internação ou com o procedimento hospitalar realizado.

4. Quais as causas?

A IH é geralmente provocada pela própria flora bacteriana do paciente, que se desequilibra pelo estado de saúde, cujo mecanismo de defesa contra infecções fica debilitado. A infecção pode ser desencadeada pelo uso de procedimentos como: soros; cateteres; cirurgias.

5. Por que o hospital é tão propício a tais infecções?

O ambiente hospitalar, apesar das medidas tomadas pelas instituições, é sempre um meio de propício para a propagação e desenvolvimento de infecções. Ora, o organismo doente encontra-se com as defesas diminuídas devido ao seu estado. O ambiente hospitalar apresenta condições de desenvolvimento patológico devido à sua situação, estruturais, abrange uma grande população, O agente só tem que encontrar estes dois elementos não necessita de ser endémico, pode ter acesso através de uma visita constipada por exemplo, e a sua atuação apenas depende das suas condições virulentas (é a capacidade patogênica de um microrganismo, medida pela mortalidade que ele produz e/ou por seu poder de invadir tecidos do hospedeiro).

6. Quais fatores que interferem para o enfraquecimento das defesas do organismo (propício à infecções)?

Antecedentes pessoais - indivíduos com diabetes, hipertensão arterial, neoplasias, cardiopatias, asma, fumantes;
Condições ambientais e nutricionais - um estado de subnutrição acarreta um sistema imunitário deficiente, diminuindo a capacidade de resposta à infecção, assim como um ambiente propício ao desenvolvimento de agentes patogénicos;
Idade - os indivíduos com uma determinada idade encontram-se mais predispostos, nomeadamente as crianças que ainda não adquiriram a totalidade das suas defesas e os idosos devido a uma diminuição destas mesmas defesas;
Traumatismos e medicação - qualquer ferida é uma porta de entrada para os microorganismos, certos medicamentos provocam uma resistência por parte das bactérias e diminuição da produção de anticorpos, assim como certas intervenções por parte dos profissionais de saúde.

7. Por que uma bactéria torna-se resistente?

A importância da resistência bacteriana aos antibióticos deve-se ao fato das bactérias que constituem a microbiota hospitalar estarem "acostumadas" a muitos antibióticos, ou melhor: os antibióticos usados no hospital em grande quantidade e diariamente vão matando as bactérias mais sensíveis, deixando que as bactérias que tem resistência ao antibiótico usado sem concorrência e livres para se multiplicarem, ocupando o espaço daquelas que morreram. Quando as bactérias resistentes causarem uma infecção, os antibióticos normalmente usados não surtirão efeito e será necessário utilizar antibióticos cada vez mais tóxicos, selecionando também bactérias cada vez menos sensíveis a este, e criando um círculo vicioso. O grande problema atual é a necessidade do uso racional destes antibióticos, tentando romper este ciclos.

8. Quais são essas bactérias?

Nos últimos anos, elas são várias: alguns cocos gram positivos; Bacilos gram negativos: as enterobactérias representadas pela Klebsiella, E. coli, Citrobacter, Enterobacter, Serratia, Providencia, entre outras. No segundo grupo, o das não fermentadoras, as mais importantes são as Pseudomonas e Acinetobacter. Essas bactérias, que são também muito importantes como causadoras de infecção hospitalar, têm a capacidade de desenvolver resistência produzindo enzimas que inativam os antibióticos.

9. Quais os mecanismos do antibióticos?

Estes medicamentos atuam sobre as bactérias de diferentes maneiras. Alguns atuam na síntese da parede celular da bactéria, fazendo com que essa parede se forme de maneira deficiente. Em consequência disso, a bactéria não resiste à agressão do meio ambiente e acaba sendo destruída. Esse é o mecanismo mais importante dos antibióticos betalactamicos, as penicilina e as cefalosporinas, que compõem a maioria dos antibióticos. Um outro grupo importante de antibióticos que atuam dessa forma são os glicopeptídeos, nos quais está incluída a famosa vancomicina. Outros antibióticos têm mecanismos de ação diferentes, por exemplo, atuando em nível do ácido nucléico das bactérias e, com isso, impedindo que elas se multipliquem. Esses antibióticos, ao contrário dos anteriores, são chamados de bacteriostáticos, porque não destroem imediatamente as bactérias, apenas impedem a sua multiplicação.

10. Quando a bactéria torna-se resistente?

As bactérias que desenvolvem resistência fazem com que pontos de ação dos antibióticos nelas próprias se modifiquem. Por exemplo, modificando as estruturas protéicas que permitem a entrada do antibiótico na bactéria são as chamadas porinas ou modificando as enzimas que vão ser inativadas pelo antibiótico, no caso, as proteínas ligadoras de penicilina (PBP) ou, finalmente, produzindo outras enzimas capazes de destruir ou neutralizar os antibióticos, como, por exemplo, as Betalactamases. Esses são os mecanismos mais importantes pelos quais as bactérias desenvolvem resistência aos antibióticos. A resistência, isso é importante ressaltar, na maioria das vezes é decorrente da seleção de cepas mutantes numa população de bactérias. As mutações são mecanismos aleatórios e relativamente pouco freqüentes. Se existe uma colônia com bilhões de bactérias, mas um pequeno número sofre mutação e se torna resistente ao antibiótico, caso seja usado o medicamento errado para determinada doença, ele pode acabar matando as bactérias sensíveis e tornando as resistentes predominantes. Estas vão gerar as infecções graves pela dificuldade de tratamento.

11. Quais os fatores de Virulência da Klebsiella?

Beta-lactamase, hemolisina e citotoxinas.

12. Qual a epidemiologia?

A Klebsiella spp (isoladas pela 1ª vez em 1983 na Europa) está presente na natureza e podendo ser encontrada no ambiente natural (água e solo) e na superficie mucosa dos mamíferos. Os sítios comuns de colonização nos humanos são o trato gastrintestinal, respiratório e genitourinário. A Klebsiella pneumoniae tem sido causa importante de infecções hospitalares adquiridas. Nas últimas duas décadas, a incidência de infecção causada por cepas multirresistentes tem aumentado.

13. Qual o tratamento da K. pneumuniae?

Inicialmente foram desenvolvidos cefalosporinas de amplo espectro para resistir à enzima β-lactamase. Devido à emergência de infecções causadas por estes patógenos, assim como relato de falhas terapêuticas e taxas de alta mortalidade associada com o uso de cefalosporinas de amplo espectro, fez com que se limitasse o seu uso, mesmo que haja sensibilidade in vitro. Assim, as cefalosporinas não são recomendadas o tratamento de infecções graves causadas por estes patógenos. No tratamento de infecções menos sérias (pneumonia, infecção do trato urinário) as cefalosporinas tem sido usadas.

OBS.: Os carbapenêmicos (Imipenem e Meropenem) são seguros e eficazes para o tratamento de infecções causadas pela K. pneumoniae.

14. Klebsiella acometem quais doenças?

Pneumonia;
Bronquite (Inflamação nos brônquios que provoca maior secreção do muco, que se torna mais espessa e viscosa;
Pielonefrite (rim);
Uretrites (uretra);
Cistite(bexiga).

15. Qual a forma de diagnóstico?
  • Bacterioscopia: Coloração gram, Coloração de Ziehl-Neelsen (Baar).
A técnica de coloração de Gram consiste em expor as células bacterianas à seguinte sequência (vídeo relacionado):

Corante primário – violeta de cristal - azul: cora o citoplasma de púrpura, independentemente do tipo de célula.
Mordente – solução de iodo: aumenta a afinidade entre o violeta de cristal e a célula e forma com o corante um complexo insolúvel dentro da célula.
Agente descolorante – álcool, acetona ou ambos: solvente lipídico.
Contrastante – safranina ou fucsina básica - vermelho: cora o citoplasma de vermelho.

O que se verifica, quando se observam as diferentes bactérias sujeitas a esta coloração ao microscópio, é que estas têm um comportamento diferente face à coloração de Gram, o que permite classificá-las Gram positivo ou Gram negativo 

  • Cultura:
Na maior parte das vezes, o estudo da morfologia, arranjo e a interpretação das propriedades de coloração são insuficientes para a identificação do agente bacteriano. Recorre-se então à cultura, para se conseguir um elevado número de microorganismos, para estudar as características culturais da bactéria como a capacidade de crescer em meio selectivo e o aspecto das colônias. Através da cultura em meios sólidos, pode-se também quantificar a presença bacteriana no material analisado (importante para diferenciar infecção de colonização em determinadas situações). 
  • Antibiograma:
Exame laboratorial, que visa orientar o médico na consulta clínica a escolher o antibiótico mais apropriado para a infecção bacteriana do paciente. O material biológico é colhido e cultivado em meio de cultura, e testado seu crescimento em uma série de discos com antibióticos, onde irão formar halos ou não.

Bacterioscopia       Cultura           Antibiograma